Inverno e a Dermatite Atópica

Dermatite Atópica é uma doença crônica que causa inflamação da pele, levando ao aparecimento de lesões e coceira. Ela afeta, geralmente, indivíduos com história pessoal ou familiar de asma, rinite alérgica ou dermatite atópica. Essas três doenças são conhecidas como as doenças atópicas ou tríade atópica. A causa exata é desconhecida.

No entanto, atualmente se sabe que a dermatite atópica não é uma doença contagiosa, e sim uma doença de origem hereditária, herdada de um ou de ambos os pais. Uma criança que tem um dos pais com uma condição atópica (asma, rinite alérgica ou dermatite) tem aproximadamente 25% de chances de também apresentar alguma forma de doença atópica. Uma criança com os dois pais com a doença atópica, tem mais de 50% de chance de também apresentar esse tipo de doença. Além da coceira (ou prurido), que está sempre presente, a dermatite atópica caracteriza-se pelo aparecimento de lesões na pele.

Inverno e a Dermatite atópicaNa infância, as lesões de pele são mais avermelhadas e localizam-se na face, tronco e superfícies externas dos membros. Nas crianças maiores e em adultos, as lesões localizam-se mais nas dobras do corpo, como pescoço, dobras do cotovelo e atrás do joelho, e são mais secas, escuras e espessadas. Em casos mais graves, essa dermatite pode acometer boa parte do corpo.

Estudos recentes mostram que a incidência da dermatite atópica tem aumentado nas últimas décadas e atualmente afeta de 10 a 30% da população em geral, em alguma época da vida. A doença tem início precoce, aparecendo geralmente no primeiro ano de vida. O prognóstico é favorável na maioria dos casos, sendo que aproximadamente 60% das crianças apresentam diminuição ou desaparecimento completo das lesões antes da puberdade.

A pele seca é uma característica muito presente e representa um dos fatores que mais contribuem para a piora da dermatite atópica. Para evitá-la, deve-se tomar cuidado na hora do banho, que deve ser rápido e com água morna. Evitar uso excessivo de sabonetes e buchas e aplicar um hidratante neutro nos três minutos logo após o banho, antes que a água que está na pele se evapore.

Substâncias irritantes, como produtos químicos em geral, roupas de lã ou de fibras sintéticas, poeira e fumaça de cigarro devem ser evitadas. Ambientes onde se passa a maior parte do tempo devem ser bem arejados, desprovidos de muitos móveis, cortinas, carpetes e bichos de pelúcia. O papel das alergias alimentares e das dietas é extremamente controverso, corantes e conservantes podem agravar o quadro alérgico.

Frio extremo, temperaturas altas ou mudanças bruscas de temperatura são mal toleradas pelas pessoas com dermatite atópica. O aumento da transpiração, causado pelo calor ou por exercícios físicos, pode resultar em uma sensação de “pinicação” e aumento da coceira. A umidade baixa do ar durante o inverno também pode contribuir para piora dessa dermatite. A prática de exercícios leves ou moderados não está contraindicada. Na maioria dos casos, a natação pode ser praticada, com o cuidado de se retirar o cloro no banho, logo após a saída da piscina.

As infecções de pele ou outros tipos de infecções podem desencadear uma piora da dermatite atópica. Sinais de infecção de pele a serem observados, incluem o aumento brusco da vermelhidão, “bolhinhas” preenchidas por pus (pústulas) ou vesículas (bolhinhas preenchidas por líquido claro).

Raiva, ansiedade e frustrações, podem levar ao aumento da vermelhidão e da coçagem, resultando na perpetuação da dermatite. Alguns métodos que podem reduzir o estresse podem ser feitos pelo próprio paciente, como por exemplo: priorizar e organizar o tempo, praticar exercício físico aeróbico, ouvir música, ler e até meditar. Outros métodos para o controle do estresse podem requerer assistência profissional.

As pomadas ou cremes de cortisona (cortisona tópica) são muito eficazes no controle da doença. No entanto, devem ser indicadas e usadas corretamente para se evitarem efeitos colaterais em longo prazo. Esses efeitos incluem a atrofia (ou afinamento) da pele e estrias. Existem diversas apresentações de cortisona tópica (diferentes veículos e potências) e apenas o médico pode indicar qual a melhor apresentação para cada caso.

Mais recentemente, medicamentos conhecidos como imunomoduladores tópicos foram introduzidos para substituir ou diminuir o uso da cortisona tópica e se evitarem os seus efeitos colaterais. Os anti-histamínicos (ou antialérgicos) orais são usados para se controlar o prurido (ou coceira), principalmente no período noturno. A cortisona por via oral, bem como outros medicamentos imunossupressores, deve ser usada apenas nos casos mais graves. Os antibióticos podem ser usados em casos de infecções. Outras terapias, como o uso de raios ultravioletas, óleos vegetais orais, probióticos, coaltares tópicos, podem ajudar em alguns casos.

Com uma abordagem ampla, o paciente com dermatite atópica pode controlar bem seu quadro, ficando em remissão das crises por tempos prolongados, voltando a ter qualidade de vida.


Sobre o Autor

Mônica Fernandes Ribeiro
Mônica Fernandes Ribeiro

Formada pela Universidade Federal Fluminense - RJ. Dermatologista pela Universidade Federal Fluminense - RJ. Especialista pela Sociedade Brasileira de Dermatologia. Membro efetivo da Sociedade Brasileira Dermatológica.

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